7 de janeiro de 2011

MORTE NO MONTE FITZ ROY

O Monte Fitz Roy, de 3.405 metros de altitude, na Patagônia (sul da Argentina), presenciou, na segunda-feira (3), o maior drama do montanhismo. A escaladora Renata (Kika) Bradford tomou a decisão de deixar para trás, semiconsciente e com fratura na bacia, mas ainda vivo, seu amigo de décadas e colega de escalada Bernardo Collares, 46, presidente da Federação de Montanhismo do Rio de Janeiro.

Bernardo e Kika

Os dois tinham acabado de conquistar o cume do Fitz Roy e iniciavam a descida pela parede de rocha, Bradford vinha na frente, Collares depois. No primeiro rapel (descida por cordas), a montanhista chegou a salvo. Quando foi a vez de Collares, o equipamento falhou. Em queda livre por 20 metros, o corpo do escalador chocou-se de lado contra um platô à velocidade de 72 km/h.

Na quarta à tarde, desenrolou-se o segundo maior drama do montanhismo. Exausta, após enfrentar sozinha a descida e de andar pelo glaciar que envolve o sopé do Fitz Roy, Renata chegou ao acampamento de base. Esperava o envio de uma equipe de socorro para resgatar o amigo, mas foi convencida de que não dava. Médicos alpinistas, escaladores e autoridades argentinas decidiram considerar o brasileiro, a priori, morto. E desistiram.

O monte Fitz Roy tem 1.800 metros de paredes verticais. A temperatura no cume nesta época do ano bate nos -5ºC. O vento é tão terrível que é capaz de levantar do chão um homem com mochila carregada de equipamentos. Ali, o escalador se depara com ventos de 150 km/hora.


Bradford e Collares tentaram conquistar o Fitz Roy na virada de 2009 para 2010. Esperaram meses por uma "janela" (período de trégua climática). Não houve. Desistiram. Sobre a angústia da espera pela "janela", Bradford escreveu: "Escalar em Chaltén [povoado onde fica o Fitz Roy] é aprender a entender de previsão de tempo e ter paciência."

Na quarta, quando Kika chegou com a notícia de que o brasileiro, com a bacia quebrada, estava preso lá em cima, tomou-se a única decisão que os protocolos de salvamento permitem. A regra básica do resgate é não gerar novas vítimas. E seria isso o que ocorreria se houvesse a tentativa de resgate no momento. Segundo amigos dos alpinistas, Renata disse que, após a queda, Collares ficou inconsciente. Ela conseguiu trazê-lo de volta por um tempo, então ele tornou a cair inconsciente. De novo, Kika o reanimou. Foi quando ele disse a ela que partisse.

Ainda não se sabe se o corpo de Collares será resgatado ou se ficará no Fitz Roy para sempre.


TRISTE, SEM DÚVIDA, MAS, O QUE NOS ALENTA É SABER QUE ELE MORREU FAZENDO O QUE SEMPRE GOSTOU...

3 comentários:

  1. Tem louco pra Tudu!!!!!!

    Ki esteja em um bom lugar!!!!!!!!

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  2. Meu amigo,
    Jesus lhes disse: Para mim ainda não chegou o tempo certo; para vocês qualquer tempo é certo(Jo 7.6). A eternidade não cabe em nosso tempo, mas você com certeza caber na eternidade com DEUS. "Jesus nunca prometeu um caminho fácil, mas realmente prometeu um que levaria a esquecer as dificuldades da caminhada"

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  3. O excesso de confiança e a falta de um planejamento adequado levam as expedições ao fracasso. Foi justamente o excesso de confiança e a falta de um planejamento que levou o amigo a se acidenta.
    Faltou equipamento e a equipe de apoio.
    Faltou a tranqüilidade e a paciência para decidir a melhor hora da escalada.
    Faltou a paciência desistir da escalada pois o tempo estava péssimo.
    Deus sabe o melhor caminho.

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