1 de fevereiro de 2011

SÃO PAULO FASHION WEEK 2011 - MODA OUTONO/INVERNO - 05

Nesta segunda (31) cinco desfiles deram continuidade a 30ª Edição da São Paulo Fashion Week.

Huis Clos voltou a integrar o line-up da SPFW com estilo assinado por Sara Kawasaki e supervisão de Clô Orozco. Inspirada em signos expressivos da alma feminina e todo o universo complexo que a rodeia, a apresentação levou baile de máscaras para a passarela. Modelos com os cabelos presos e luvas de pele sintética deram expressão e força ao inverno 2011 que também abusa de renda, lã, couro, cristal e brilhos.

A cartela de cores percorreu o preto, cinza e marinho em peças com franzidos, shorts curtos e justos.


Maria Bonita deu inicio às obras com o cenário de tapumes de madeira. Na trilha sonora, Construção, de Chico Buarque de Holanda - aliás, este era o mote da coleção outono-inverno 2011 da marca. Desta concretude humana, juntavam força para desenhar o novo, para fomentar a nova civilização traduzida nas peças de Maria Bonita. Uma certa construção desconstruída era a argamassa de peças de cerâmica, com aspecto de concreto e pedras aplicadas sobre a malha de lã, ou era resina craquelada. Ainda, casaco carregado como bolsa, vestido-bolsa, saia-bolsa - uma profusão de referência à imagem dos responsáveis pela mão de obra daquela que se tornaria a capital do Brasil.

O azul vinha do céu, o tom marrom, da terra, e os chapéus modelados tal como se tivessem sido ressecados pelo sol, além de carteiras de metal, marmitas.


Ronaldo Fraga buscou inspiração nos azulejos espalhados por toda Brasília do artista Athos Bulcão. Ronaldo levou pombinhas, colagens em preto e branco, bordados, formas geométricas, bordados, camadas de vestidos, paetês, recortes nas costas, peças que se apresentavam ao som de Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes.


Com roupas de aventureiros modernos e urbanos a grife de moda masculina V.ROM, de Alberto Hiar, dono da Cavalera, fez seus modelos viajarem "em busca do diamante perfeito" - tema da coleção -, com peças hiperconfortáveis.

A marca mostrou uma moda descontraída e desconstruída, no bom sentido. E acima de tudo, usável por quem tem esse espírito jovem e viajante, não importa a idade. Por isso, modelos de todas as idades, de mocinhos a bem grisalhos.Destaque para o ator Cássio Reis.


Na passarela da Reserva muito rock'n roll. Última marca a desfilar nesta segunda (31), Lobão foi o escolhido para fazer trilha ao vivo com direito a muitas distorções de guitarra, assovios, gritos e um audível "Eu te amo, Lobão!".

A coleção Decadence Avec Elegance iniciava a sua mostra de que o clássico é o novo velho. Na proposta de desarrumar o mauricinho norte-americano, a Reserva decidiu impor a irreverência brasileira no preppy made in USA (estilo colegial dos anos 50 e 60). Desfazer a "chinfra" estadunidense, seria tarefa difícil como o próprio Lobão admite.

Assim, melhor recorrer aos bordados moscas e a ferrugem símbolo da ação do tempo. Tudo cheirando a mofo em tricô que surgem, ora pesado, ora levinho. Está gasto pelo tempo. A alfaiataria desconstruída em ganchos deslocados, mangas encurtadas, camisas sem punho era sinal de um andarilho que perambula por bordeis e rastro de si fica por estes locais.


Nesta terça (01) acontecem os seguintes desfiles:

15h30 - Do Estilista
17h - Ana Salazar
18h30 - FH por Fause Haten
19h30 - Jefferson Kulig
21h - Lino Villaventura

A 30ª edição do São Paulo Fashion Week acontece até o dia 02 de fevereiro na Fundação Bienal São Paulo.

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