4 de fevereiro de 2011

SÃO PAULO FASHION WEEK 2011 - MODA OUTONO/INVERNO - 07


Nesta quarta-feira (02) seis desfiles encerraram a 30ª Edição da São Paulo Fashion Week.

A estilista Gloria Coelho levou sua interpretação do desenho febre nos anos 90, Pokémon. A inspiração surgiu porque Pedro Lourenço, seu filho, era fanático pela animação japonesa e sempre pedia a mãe para comprar as miniaturas em plástico. Conclusão, ela acabou conhecendo toda a trupe de Pikachu e bichinhos com visual divertido.

Somado ao universo do desenho japonês, entram motocross, armaduras e perfume dos anos 30 e 60. Após algumas temporadas sem trabalhar com a cor preta, Gloria a insere na coleção inverno 2011. Também compõe paleta o off white, cinza mescla, cores de plástico, vermelho, verde, azul, laranja, amarelo e bege. Os materiais utilizados foram a lã chinesa, couro nacional, veludo, tafetá, seda pesada, organza, paetê, cristais e sarja.


João Pimenta apresentou sua coleção outono-inverno 2011. O estilista mineiro é conhecido por trabalhar elementos femininos na moda masculina, e faz isso com maestria. Com um tema que misturou militarismo e liturgia com perfume gótico, João levou seus homens para um desfile pautado por sua pesquisa na linha A, o trapézio.

A forma era a argumentação mais forte de sua criação, para isso levou volume aos quadris, proporções experimentais com a calça-bola acima dos joelhos, amarrações que evidenciavam a silhueta e vestes que remetiam aos hábitos das freiras e padres. Com muita lã, casacos, calças, pullovers, tricôs de pontos largos, João Pimenta faz trabalho artesanal. As lãs são tingidas e fiadas à mão que combinam brasões militares e bordados litúrgicos.


O ponto de partida da coleção outono-inverno masculina de Alexandre Herchcovitch é o mesmo da coleção feminina, mas a interpretação difere. Não por causa dos gêneros: mulher ou homem, e sim porque o que está em jogo é a luta pela sobrevivência em meio a fenômenos e catástrofes naturais. Eis que se impôs um mundo pós-apocalíptico, pós-industrial. Como sobreviventes, os homens de Herchcovitch estão com os rostos deformados e óculos em metal e couro para se protegerem contra o fogo.

No corpo, peças feitas de fragmentos de tecidos diferentes em trabalho de patchwork, casacos amplos, blusões laminados, parkas de nylon, estampas dos quatro cavaleiros do Apocalipse. As cores escurecidas e envelhecidas passam pelo cinza, preto, laranja e caramelo. Os tecidos escolhidas para escapar da "hora final" são o tyvek (com diferetes texturas e relevos), astracan sintético (semelhante a pele ou lã), lã e cetim pesados, cashmere, acetato, nylon, couro de cobra e sintético.


O desenho de um círculo, com toda sua simplicidade e simbolismo, foi o ponto de partida criativo da estilista Fernanda Yamamoto para o desenvolvimento da coleção outono-inverno 2011.

Silhuetas soltas e comprimentos que se alongam em blusas, casacos, saias e vestidos com leve volume. As técnicas artesanais desenvolvidas no atelier em gaze de seda, feltro e lã. Yamamoto também apostou na técnica de washi-ê, que permite a fusão das fibras de um tipo de papel especial com uma trama de linhas ou lã. Até mesmo os tecidos trazidos do Japão, como variações de seda e renda, foram modificados por tingimento manual e sobreposição de materiais.

Na paleta de cores, predominância do preto e variante do cinza com alguns detalhes em roxo, amarelo e fúcsia.


André Lima mostrou sua coleção outono-inverno 2011 com a proposta de unir dois elementos díspares de sua trajetória em quase dez anos de passarela: formas fluídas e lânguidas mais os conjuntos estruturados. Trocando as estampas e cores vivas, André optou pelos tons sóbrios como o preto e o berinjela.

A distância do geometrismo e trabalho arquitetônico cedeu espaço a variações orgânicas em túnicas, drapeados, saias imensas, rodadas, amplitudes, futurismo, laços, sereias.


A Cavalera é marcada por diversos desfiles em locais inusitados. Porém nesta São Paulo Fashion Week eles levaram suas ideias para o espelho d'água na entrada da Bienal. Como era o último dia, último desfile, emoções teriam de acontecer. Então chuva, poças e fumaças.

A coleção teve como proposta instaurar uma "Nova República" e colocar os jovens na rua. O preto foi a cor dominante, que também mesclou o vermelho, verde e amarelo em peças de lã, couro e jeans. Estampas com o brasão do Brasil e a retomada com imagens do mapa de São Paulo, afirmam que a Cavalera é paulistana, é brasileira. No jeanswear a proposta veio em Black jeans skinny e jeans azul de lavagem clara e com rasgos. Os comprimentos encurtados podem até passar um frescor de chuva de verão, pois que seja.

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