14 de fevereiro de 2012

CASO ELOÁ - JULGAMENTO - 02


Terminou por volta das 20h desta segunda-feira (13) o primeiro dia de julgamento de Lindemberg Alves, acusado de matar Eloá Pimentel em Santo André, no ABC, em 2008. O júri deverá ser retomado às 9h desta terça (14). O acusado deixou o fórum e passou a noite no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, na Zona Oeste de São Paulo.


O julgamento começou por volta 10h50 desta segunda-feira. Houve um recesso para almoço das 13h às 14h30. Durante a manhã, houve a exibição de vídeos tanto do Ministério Público quanto da defesa do réu aos jurados. Seis homens e uma mulher compõem o conselho de sentença, definido no início do julgamento.

Durante uma hora e meia, a defesa de Lindemberg exibiu cerca de 15 vídeos jornalísticos que retratam a cobertura da imprensa e também a invasão da Polícia Militar ao apartamento onde a Eloá foi mantida refém por cinco dias, entre 13 e 17 de outubro de 2008.


Entre as reportagens jornalísticas apresentadas pela advogada Ana Lúcia Assad, que representa Lindemberg, há entrevistas do réu logo após a prisão, em imagens divulgadas por uma emissora de TV, na qual ele diz que “gostaria de voltar o tempo”. Há também entrevistas com Nayara Rodrigues da Silva, mantida refém e baleada por Lindemberg, na qual diz que só efetuou os disparos após a entrada da PM no apartamento.

A promotora Daniela Hashimoto também exibiu um vídeo retratando o comportamento agressivo de Lindemberg Alves.

O júri presidido pela juíza Milena Dias ocorre mais de três anos após um dos sequestros mais longos do país - cerca de cem horas - acompanhado ao vivo pela TV, que terminou com a morte da estudante, com 15 anos à época. 
 
Ontem, também foram ouvidos os depoimentos de  Nayara Rodrigues, amiga de Eloá que também foi mantida em cativeiro e recebeu um tiro no rosto de Lindemberg. Iago Vilera e Victor Campos, ambos também eram reféns do acusado e do Sargento da Polícia Militar Atos Valeriano, que escapou de um tiro durante o sequestro.

A mãe de Eloá Cristina Pimentel, Ana Cristina Pimentel, e o irmão mais novo da jovem irão depor como testemunhas de defesa no julgamento. Eles substituem duas testemunhas convocadas pela advogada do acusado e que não apareceram no júri – no total, quatro dos convocados faltaram.

A pedido da advogada Ana Lúcia Assad, a mãe de Eloá substituiu a jornalista Sonia Abraão e o irmão entra no lugar do perito Nelson Gonçalves, que fez os laudos do caso pelo Instituto de Criminalística (IC). O pedido para a mãe da jovem ser testemunha seria uma estratégia da defesa para tirá-la do plenário e evitar manifestações de emoção que poderiam influenciar a decisão dos sete jurados – seis homens e uma mulher.

Lindemberg responde por 12 crimes. Além da morte de Eloá, são duas tentativas de homicídio (contra Nayara e o sargento Atos Antonio Valeriano, que escapou do tiro); cárcere privado (de Eloá, Victor, Iago e duas vezes de Nayara) e disparo de arma de fogo (foram quatro).

Segundo o Ministério Público, se Lindemberg for condenado por todos os crimes atribuídos a ele, a pena mínima poderá ser de 50 anos e a máxima de 100 anos de reclusão. Pela legislação do país, no entanto, ninguém pode ficar preso a mais de 30 anos.

O julgamento de Lindemberg deve durar três dias, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).
 

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