15 de fevereiro de 2012

CASO ELOÁ - JULGAMENTO - 03


O segundo dia do julgamento de Lindemberg Alves foi encerrado por volta das 23h desta terça-feira (14). A juíza chegou a retomar a sessão por volta das 22h30, depois de um intervalo de 40 minutos, para ouvir a última testemunha do caso. Mas o tenente Paulo Sérgio Squiavo não chegou a falar. O depoimento dele ficou para a quarta-feira (15) .

Além do policial, é esperado para o terceiro dia de julgamento o interrogatório de Lindemberg Alves, acusado de matar Eloá Pimentel. O júri deve ser retomado por volta de 9h desta quarta-feira.

Só depois que o réu falar, o julgamento entra na fase final: quando os advogados fazem os debates. Nesta fase, a promotoria e a defesa apresentam seus argumento para os jurados. Cada parte tem um hora e meia para falar. Na sequência, pode haver réplica e tréplica, sendo uma hora para cada uma.

Só então, os jurados se reúnem para definir se Lindemberg é culpado ou não dos crimes pelos quais é acusado. Ao final, a juíza estipula a sentença do réu, caso ele seja condenado.
 
No início deste segundo dia de julgamento, Ronickson Pimentel dos Santos, irmão mais velho de Eloá, definiu Lindemberg Alves como "louco", "vingativo" e "extremamente agressivo". Nas palavras de Ronickson, o réu é um "monstro". O jovem foi o primeiro a ser interrogado na manhã do segundo dia de julgamento.
  Em seguida, o irmão caçula de Eloá, Everton Douglas, disse em seu depoimento que Lindemberg ameaçava matar todos caso a polícia invadisse o apartamento onde o crime ocorreu. “O Lindemberg falou que se relassem na porta e tentassem entrar ele atirava em todo mundo”, disse o adolescente de 15 anos. O adolescente também definiu o réu como alguém agressivo. Everton foi quem apresentou Eloá ao réu. “Infelizmente apresentei Lindemberg a Eloá”, disse.
 
Arrolados pela defesa, os jornalistas Rodrigo Hidalgo e Márcio Campos disseram que nos contatos feitos entre a polícia e o acusado ele não apresentou exigências e se mostrou disposto a matar Eloá. Questionados sobre uma influência da imprensa do desfecho, ambos afirmaram ainda que em nenhum momento jornalistas fizeram qualquer tipo de provocação nem incitaram Lindemberg a cometer um ato violento. Durante a fala deles, a advogada tentou culpar a imprensa pelo desfecho do caso, mas foi impedida pela juíza Milena Dias.
 
 Milena Dias
 
O capitão Adriano Giovanini, do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da PM, disse que cogitou o uso de explosivos para derrubar a parede do apartamento de Eloá Pimentel. Segundo o capitão, a PM não fez isso porque poderia colocar em risco as vítimas e a estrutura de todo o prédio. O Gate foi responsável pelas negociações com o jovem.

Segundo Giovanini, dois atiradores estavam posicionados a sete metros para acertar Lindemberg. Isso não ocorreu porque, desde o momento em que Nayara entrou novamente no apartamento, os policiais não tiveram mais chances de acertar, segundo ele. “Se a gente tem dúvida da posição de alguma das vítimas, o tiro não é executado.”
 
O perito Hélio Rodrigues Ramacciotti, responsável pelos laudos do Instituto de Criminalística (IC), também prestou depoimento. Ele disse que é possível dizer que não houve disparos de arma calibre 40 (usada por policiais em São Paulo) no apartamento. “Se houvesse disparos de ponto 40, as lesões seriam muito superiores”, afirmou. “Se fosse uma arma ponto 40, Nayara não estaria viva."


O delegado Sérgio Luditza, que investigou o caso Eloá, disse que uma frase do acusado foi o "estopim" para a invasão da PM ao apartamento. Segundo ele, Lindemberg disse que estava "ouvindo um anjinho e um capetinha e o capetinha estava vencendo". Luditza afirmou que o caso teve uma reviravolta nos últimos 30 minutos. "Estava tudo caminhando para a libertação dos reféns."
 
A advogada de Lindemberg Alves, Ana Lúcia Assad disse que a juíza Milena Dias "precisa voltar a estudar". A declaração foi feita logo após a defensora pedir para fazer mais uma pergunta à perita Dairse Aparecida Pereira Lopes com base no "princípio real da verdade". A juíza então declarou que se princípio não existia e a advogada retrucou: Então você precisa voltar a estudar. 
 
Ana Lúcia Assad

Na sequência, a promotora do caso, Daniela Hashimoto, manifestou-se e disse que entendia a resposta como um desacato e que Ana Lúcia poderia responder pelo seu ato. A juíza, no entanto, não deu prosseguimento ao assunto e permitiu que a defesa de Lindemberg voltasse a questionar a perita.
 
A última testemunha a depor nesta terça-feira foi o policial militar do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), Adriano Geovanini, que foi negociador durante o sequestro de Eloá. Ele falou por cerca de quatro horas e, na sequência, a juíza fez um intervalo de 40 minutos.

Em seu depoimento, Geovanini afirmou que a última conversa que teve com Lindemberg Alves pelo telefone, na época do cárcere de Eloá Pimentel, foi um dos pontos decisivos para que houvesse a invasão do apartamento em Santo André, no ABC.

De acordo com Geovanini, o tom do réu foi de despedida. Lindemberg teria ainda pedido para que o policial deixasse a negociação para não ser responsabilizado pelo desfecho do caso.

- Ele disse assim para mim: "O senhor foi muito legal comigo, me tratou como homem, então eu não queria que o senhor fosse responsabilizado pelo que vai acontecer aqui agora".

A ligação foi feita pouco tempo antes dos policiais que estavam próximos ao apartamento ouvirem tiros no local. Diante desse cenário, foi tomada a decisão de invadir o imóvel.

Ele afirmou ainda que a polícia sabia que havia uma barricada na porta do apartamento antes de invadir o local. Mas não aumentou a quantidade de explosivos para desobstruir a passagem com medo de ferir as reféns que estavam no apartamento.

De acordo com Geovanini, os policiais sabiam que havia móveis na porta para impedir o acesso porque podiam ouvir do apartamento vizinho, com ajuda de copos, o barulho feito para arrastá-los. Ele também reforçou que o Gate só entrou no local após ouvir os tiros.

Durante o depoimento, a testemunha também foi questionada pela defesa do acusado sobre a arma do crime. A advogada Ana Lúcia Assad queria saber quem havia pegado a arma do local e o policial respondeu que foi o delegado.

Geovanini também foi questionado pela juíza porque não foi usado um atirador para acertar o réu durante o cárcere, mas Geovanini explicou que as únicas oportunidades para um tiro certeiro só existiram nos primeiros dias de negociação, quando ainda não se sabia o que exatamente estava ocorrendo. Depois, segundo ele, Lindemberg nunca mais se expôs pela janela.

Mesmo assim, de acordo com a testemunha, dois atiradores ficaram o tempo todo posicionados a 7 m da janela do apartamento de Eloá.

Rodrigues ainda ressaltou que as marcas encontradas nas paredes do apartamento de Eloá, em Santo André, no ABC, eram de uma arma de calibre 22, que provavelmente eram da espingarda do pai da jovem que foi encontrada pelo réu. Além dessas marcas, o perito garantiu que só havia indício de uso de bala de borracha no local.

Lindemberg responde por 12 crimes. Além da morte de Eloá, são duas tentativas de homicídio (contra Nayara e o sargento Atos Antonio Valeriano, que escapou do tiro); cárcere privado (de Eloá, Victor, Iago e duas vezes de Nayara) e disparo de arma de fogo (foram quatro).

Segundo o Ministério Público, se Lindemberg for condenado por todos os crimes atribuídos a ele, a pena mínima poderá ser de 50 anos e a máxima de 100 anos de reclusão. Pela legislação do país, no entanto, ninguém pode ficar preso a mais de 30 anos.

O julgamento de Lindemberg deve durar três dias, segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Nenhum comentário:

Postar um comentário